06 dezembro 2016

Poesia de Gaveta


Saindo do Escuro


No escuro, na penumbra  
Quem nada vislumbra
Mesmo um povo milenar  
Na escuridão sem luar
Sem ser, sem enxergar

Afinal, o que é a escuridão?
Quem tem rancor no coração
Ou já perdeu a sua visão
Diz que é o inferno,
Um abismo sem fim
Mas quem cultiva o amor
Ou enxerga os urubus
Diz que o escuro
É apenas falta de luz

No escuro, na penumbra   
Numa fila sem guichês
Só se importam com cachês
Suas vidas exauridas
Vazias, sofridas

Afinal, o que é a ignorância?
Quem a tem desde a infância
Ou não tem fome nem ânsia
Diz que é ser agressivo,
Ou tratar mal o diferente
Mas quem ingere conhecimento
Ou almeja sempre crescer
Diz que ignorante
É quem para de aprender

Sem escuro
Sem penumbra
Não haverá muro,
Nem sombra.
Não será fácil,
Nem igual.
Mas quando abrir os olhos
Verás aquilo que é real.

Acendam-se as luzes!
Liguem os holofotes!
O interruptor?
Está dentro de você!

 Resende, Gabriel
06/12/2016



Mural - Eu Me Chamo Antônio

"Em Outubro de 2012, Pedro Gabriel inaugurou a página Eu me chamo Antônio no Facebook (www.facebook.com/eumechamoantonio), para compartilhar os desenhos e as frases que rabiscava com caneta hidrográfica em guardanapos nas noites em que batia ponto no Café Lamas, um dos mais tradicionais bares do Rio de Janeiro. Em menos de um ano, conquistou mais de 300.000 seguidores entusiasmados."

     Pedro Gabriel apresenta em seus livros várias histórias vividas por seu alter ego Antônio com mensagens sobre paixões, sobre a vida e também sobre as perdas e suas dores. Nesse Mural de Imagens de hoje, quero compartilhar com vocês esse presente que ganhei de um grande amigo pra que vocês possam conhecer um pouco das mensagens desse grande artista e poeta contemporâneo. 





Veja mais imagens de Pedro Gabriel!

20 novembro 2016

My Favorite - Black Mirror



     Se você procura uma série diferente de basicamente todas as outras no ar atualmente, que seja inteligente, viciante e crítica, você tem que assistir Black Mirror; série britânica antológica que busca polemizar sobre muitos temas que já são debatidos na sociedade moderna com a velocidade com que a tecnologia avança em nossas vidas, muitas vezes sem nós percebermos. A séria faz um exercício de imaginação sobre como seria nosso cotidiano no futuro com o advento de ferramentas tecnológicas que muitas vezes podem parecer benéficas mas que no fundo tiram um pouco da nossa humanidade.
     O criador da série, Charlie Brooker, em entrevista ao jornal The Guardian explicou o porquê do título da série: "Se a tecnologia é uma droga então quais são precisamente os efeitos colaterais? Este espaço (entre apreciação e desconforto) é onde Black Mirror, minha nova série de televisão, está localizada. O 'espelho negro' do título é um que você encontrará em todas as paredes, em todas as mesas, na palma de toda mão: a fria e brilhante tela de uma TV, um monitor ou um smartphone."
     A série tem muitos bons episódios, em especial dois: O primeiro episódio da primeira temporada, The National Anthem (O hino nacional), onde o Primeiro Ministro do Reino Unido tem que enfrentar uma situação extrema após o sequestro de uma integrante da Família Real. E o primeiro da terceira temporada, Nosedive (Queda livre), onde as redes sociais se tornam centro da vida em sociedade de uma forma que os likes passam a ser a nova forma de segregação social. Esses dois episódios são pra mim os melhores da série até agora, mas todos fazer refletir sobre algum aspecto diferente sobre os 'lados ruins' que podem ser trazidos com a comodidade das novas tecnologias. 
     Uma menção honrosa ao personagem Waldo, do terceiro episódio da segunda temporada chamado The Waldo Moment (Momento Waldo). Esse episódio não poderia ser mais atual com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Na série, um boneco azul chamado Waldo dublado por um comediante faz piadas sobre a classe política e se candidata a prefeitura de uma cidade com um discurso de anti-política, sem propostas mas que faz o povo rir e atrai os "votos de protesto". Mais parecido com o mundo real impossível, já que a maior democracia do mundo elegeu recentemente um boneco laranja com um cabelo esquisito, que faz piada de tudo, ofende a todos, e com um discurso de anti-política conseguiu "votos de protesto" suficientes pra fazer das eleições Americanas uma grande piada de mau gosto.
    My favorite TV Serie de hoje é Black Mirror, pelo seu conteúdo, produção e relevância. Lembrando que todos os episódios da série podem ser encontrados na Netflix.





Waldo Trump

14 outubro 2016

Music and Poems - Bob Dylan

     Esse post é uma homenagem do Blog a este grande artista, músico e agora poeta vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, mostrando que a arte está em qualquer lugar e não há limites para quem se expressa com verdade e paixão. Parabéns Bob!

Forever Young - Bob Dylan (Tradução)

May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

May you grow up to be righteous
May you grow up to be true
May you always know the truth
And see the lights surrounding you
May you always be courageous
Stand upright and be strong
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

May your hands always be busy
May your feet always be swift
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift
May your heart always be joyful
May your song always be sung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young


Interpretação por Bob Dylan e Bruce Springsteen:






19 setembro 2016

"Quote" - Steve Jobs

      Na citação desse post, um discurso do Steve Jobs para os alunos formandos da Universidade de Stanford. A seguir o vídeo legendado e em seguida a transcrição do discurso em português.



  “Continue com fome, continue bobo.”




Veja a transcrição completa!

16 setembro 2016

Mais Difícil Ouvir



      Palavras machucam. Algumas delas mais que um soco na boca do estômago. Se essas palavras advém de alguém amado, a dor é ainda maior. Nesse caso, seria mais como o cravar de uma adaga no ventrículo esquerdo, impedindo que este lance o sangue para o restante do corpo. Como bem diz o título desse Blog: é "Mais Fácil Falar" do que, nesse caso, ouvir. Existe uma dicotomia intrínseca a esses dois elementos fundamentais para esse post: o Falar e o Ouvir
       Existe um conceito Beneditino muito famoso que afirma que "temos dois ouvidos e apenas uma boca que é para ouvir mais e falar menos". São Bento e sua ordem ressaltam a importância de saber ouvir. Todos os dias escutamos coisas das mais variadas na nossa rotina como barulhos, músicas, sons aleatórios ou até mesmo escutamos uns aos outros. Percebam que quando falo ouvir me refiro ao ato de assimilar o som escutado. Portanto, se algo não interessa pode muito bem ser escutado e não assimilado. Então, o ouvir, no sentido mais completo da palavra, pode não ser algo tão simples quanto se supõe inicialmente. 
      O mais potente e perfeito instrumento musical que existe está encravado em nossas gargantas. Das cordas vocais saem nossa voz, uma poderosa ferramenta raramente utilizada devidamente. Poderosa pois com uma dúzia de palavras é possível criar uma Guerra Mundial ou, com  a mesma dúzia, acabar com um conflito. Portanto, o falar possui um mecanismo similar ao ouvir. Qualquer pessoa pode muito bem falar o que quiser e o quanto quiser. Mas o quanto essas palavras emitidas representam verdadeiramente a opinião de quem fala? E mais, o quanto essas palavras realmente possuem uma razão para serem expressadas? Com esses questionamentos podemos notar que o falar, no sentido mais subjetivo da palavra, também pode não ser algo banal. 
       Mas e como esses conceitos se relacionam entre si? Simples. A partir do momento que alguém fala e outro alguém ouve, não existem garantias de que a ideia de quem fala será assimilada e nem de que quem fala está expressando o que realmente quer para quem ouve. É aí que entra o início desse post. Palavras machucam. 
     Sim, Palavras machucam. Algumas delas mais que um soco no estômago. Se essas palavras advém de alguém amado, a dor se assemelha mais como o cravar de uma adaga sem piedade bem no ventrículo esquerdo. Socos ou punhaladas possuem efeito e consequência imediatos. Um olho roxo e um sangramento. Rápido, letal. Palavras mal ditas não. Essas ecoam, insistem, duram... Lento, atordoante. Palavras malditas. 
       Como diz o velho ditado popular, "quem bate esquece, quem apanha não". Analogamente, podemos dizer que quem fala também esquece, mas quem ouve não... Então será que é mesmo Mais Fácil Falar, afinal de contas? Pode até ser que sim. Mas ouvir as palavras erradas certamente machucam mais do que falar as palavras erradas. É preciso ter maturidade para ouvir, equilíbrio para assimilar e acima de tudo cautela ao falar, pois as palavras erradas podem ecoar pela eternidade na mente de alguém. Perdoem minha redundância, mas palavras machucam sim!
            







28 julho 2016

Mural de Imagens - Felipe Guga

Dessa vez, nosso mural de imagens traz o iLUZtrador Felipe Guga, que traz mensagens e ilustrações em seu perfil do Instagram @ofelipeguga. Muitas dela trazem um sentimento de esperança, gratidão e espiritualidade. Vale a pena conferir o trabalho desse artista!



Veja mais imagens de Felipe Guga!

24 julho 2016

Falando de Tatuagens



     Tatuagens. Estudos arqueológicos demonstram que os seres humanos tem o costume de pintar e marcar o próprio corpo desde os anos 2000 a.c., com diversas provas em regiões como no Egito, Polinésia e Nova Zelândia, mas em pleno século XXI esse assunto ainda é frequentemente estigmatizado e alvo de diversos tipos de preconceitos por parte da sociedade. Em diversas áreas do mercado de trabalho, como por exemplo no ramo do direito ou da justiça, candidatos que possuam tatuagens são proibidos de ingressarem em cargos públicos pelo simples fato de possuírem uma tatuagem no corpo. 
     Esse preconceito contra pessoas que possuem tatuagens começou no ano de 1879 quando a Inglaterra passou a identificar seus criminosos com essa técnica de marcação definitiva da pele, e a partir disso as tatuagens começaram a serem vistas como símbolo de pessoas de mau caráter e fora da lei. Várias religiões também contribuíram para essa estigma contra as tatuagens, onde na maioria delas, modificar o próprio corpo seria uma afronta a imagem de Deus, que teria nos criado conforme sua imagem e semelhança.
 Judeu tatuado no Terceiro Reich
     Além da Inglaterra, a Alemanha Nazista do período do Terceiro Reich de Hitler, também usou a técnica de tatuagem para marcar os Judeus e os identificarem nos campos de concentração. Com tantos maus usos e tantas tentativas de demonificar essa técnica, é fácil perceber de onde esses preconceitos vieram e se enraizaram na sociedade.
   
      Mas o que são as tatuagens senão uma forma de expressão individual de sua criatividade, liberdade, ideologia, amor, credo ou qualquer que seja a motivação que levou a pessoa a tatuar definitivamente em si uma frase, um símbolo, uma imagem, etc. No mundo de hoje, cheio de intolerância, racismo e preconceitos é importante ter em mente que ninguém é melhor ou pior por ter uma marca na pele, ou uma religião diferente, ou um lado político, ou cor de pele, orientação sexual e qualquer outra possível forma de diferenciação entre os seres humanos. Cada pessoa possui seu corpo e o direito inviolável de fazer com ele o que bem entender. Tatuagem é Arte, Não Estigma! 
     
Minha Primeira Tatuagem
     Quando fiz a minha primeira Tatoo (Triskle Celta), tive um sentimento inesquecível de liberdade e essa marca me traz muitas boas lembranças de intercâmbio, dos meus amigos que me acompanharam e desse ótimo momento que vivi. Não há como explicar a uma pessoa que não tem tatuagem esse apego que se cria com um simples símbolo marcado na pele. É uma coisa completamente pessoal e o significado vai além da própria tatoo. Para quem deseja ter uma, saiba que dúvidas sempre vão existir até o grande momento de materializar esse desejo.


     Pela experiência que tive, diria que o mais importante é ter coragem de fazer o que quer independente do que os outros pensem; refletir bem sobre qual local se quer fazer; qual é o desenho ou frase a ser pintada; maturar um pouco a ideia e o que isso significará pessoalmente; procurar um estúdio capacitado e com condições de higiene adequadas; e por fim fazê-la. 
     
     E você, já tem a sua tatuagem? Não ligue pra os preconceitos, seja criativo e vai pra maquininha! Veja logo mais um vídeo sobre o processo de realização de tatuagens (nāo dói como parece) e como não podia deixar de ser no blog, um clipe de uma música do Cazuza e uma da Bethânia sobre o que penso para a minha próxima Tatoo. 




08 julho 2016

#BlackLivesMatter

 
     Mais uma vez nos Estados Unidos é escancarada a segregação racial da sociedade que tantas vezes fica encoberta por uma espessa camada de hipocrisia. Uma grande tensão ocorreu no país após a divulgação de dois vídeos chocantes expondo a morte de dois homens negros por policiais brancos onde em ambos os casos as vítimas se encontravam dominadas ou sem oferecer perigo algum aos policiais que agiram com truculência e covardia. Essa tensão e toda a revolta despertada por esses casos criaram uma onda de protestos que resultaram na morte de cinco policiais brancos após um atirador negro ficar fora de controle e resolver "vingar" a morte dos dois homens brutalmente assassinados. Ocorre que os policiais mortos não tinham nada a ver com os policiais que mataram os inocentes anteriormente. Ao perder a cabeça e apelar para a violência aleatória contra "policiais brancos", o atirador recorre a uma atitude que ele mesmo é contrário, que é a retaliação através de violência racial indiscriminada. 
     Não há como negar que existe sim uma cultura de discriminação contra negros e uma reação mais violenta da polícia contra essas pessoas. Isso não ocorre apenas nos Estados Unidos, no Brasil também é comum. Ser negro já é grande fator de culpabilidade e suspeição em qualquer incidente. Mas essa cultura deve ser combatida com uma mudança pacífica, através de educação, atitudes firmes dos governantes e principalmente do repúdio de todos a atos violentos qualquer que seja a cor da pele da pessoa, afinal somos todos de uma mesma raça: a HUMANA; e como tal temos que aprender a nos tratarmos como iguais. Só assim essa cultura lamentável de discriminação racial será erradicada.

     A seguir, as músicas They don't care about us, de Michael Jackson, que fala exatamente sobre esses incidentes; e Glory, trilha sonora de Selma e interpretada por John Legend. E mais abaixo, uma frase do grande Mandela que nos dá o caminho para acabarmos com esse Apartheid disfarçado em que vivemos hoje.






10 maio 2016

E Depois? Nada.



     Primeiramente, gostaria de esclarecer que o post não tem spoilers de Game of Thrones, já que duas semanas após a exibição desses fatos marcantes da série é quase impossível que você não saiba  ainda do que aconteceu com o John Snow, bastardo de Ned Stark. Como essa primeira imagem acima mostra, John morreu no fim da quinta temporada esfaqueado até a morte por seus subordinados traidores. Temporada nova, e vida nova para o Snow. Sim, John ressuscitou através de um ritual da feiticeira Melisandre. Ao voltar da morte, a feiticeira pergunta curiosa a respeito do que John viu "do outro lado". Ele responde ainda incrédulo: "Nada! Não havia nada!". E isso mudará completamente o personagem vivido por Kit Harington daqui pra frente. John sempre foi um homem que valorizava acima de tudo sua honra e nunca teve medo de defender seus ideais, mesmo que isso lhe custasse a vida. Porém agora que ele viu o "outro lado", vem o questionamento: se não existe nada após a morte, honrados e profanos irão para a vala comum, então a honra realmente importa tanto ao ponto de dar a vida por ela? 
      Com toda essa situação, a série de George R.R. Martin leva o espectador a pensar sobre a própria vida. Sim, somos todos John Snow! Cada pessoa possui sua crença e cada crença por sua vez apresenta uma versão do "outro lado". Mas como o nome bem diz, são "crenças". No fim das contas apenas uma (ou até mesmo nenhuma) estará correta. Se não existem Melisandres por aí para nos dar uma segunda chance, devemos aproveitar o único cartucho que temos  em mãos com certeza que é a nossa vida. Não é preciso ser radical e abandonar qualquer crença que seja. Mas não seria mais sábio viver com intensidade enquanto a vida ainda se oferece a nós? Afinal, we know nothing!
      Game of Thrones está na sua sexta temporada e já se encaminha para seu desfecho. Os Stark que restaram estão em evidência esse ano e o seus destinos devem ser importantes para o final dos acontecimentos da série. Há informações que Kit Harington foi um dos atores que mais gravou essa temporada, por isso esperamos para ver como John reagirá a esse acontecimento no mínimo inusitado em sua vida. 
     Game of Thones é transmitida simultaneamente nos Estados Unidos e no Brasil pelo canal HBO, todo domingo as 22:00.