29 dezembro 2016

"Quote" - John F. Kennedy

     A citação desse post é um trecho de um discurso do grande John Kennedy (1917-1963) para a Universidade de Yale em 11 de Junho de 1962. Veja a transcrição original e a tradução livre, bem como mais abaixo um vídeo com outro trecho do mesmo discurso e ainda o link para o áudio completo. 

Original:

     “The great enemy of truth is very often not the lie, deliberate, contrived and dishonest; but the myth, persistent, persuasive and unrealistic. Too often we hold fast to the cliches of our forebears. We subject all facts to a prefabricated set of interpretations. We enjoy the comfort of opinion without the discomfort of thought."

Tradução:

     "O grande inimigo da verdade não é a mentira, deliberada, irracional e desonesta; mas sim o mito, persistente persuasivo e irreal. É demasiado frequente nós nos prendermos aos clichês de nossos antepassados. Subjugarmos todos os fatos em nome de um conjunto pré-fabricado de interpretações. Nós apreciamos o conforto da opinião sem o desconforto do pensamento."


Introdução do Discurso 






27 dezembro 2016

O Narciso de cada um



      Na geração do instagram, facebook, dos likes e dos selfies, a exaltação a própria imagem é algo banal na vida cotidiana. Mas será isso um fenômeno contemporâneo? Na verdade, apenas a forma como se dá esse culto a si mesmo é que se transformou, mas o fenômeno em si já é retratado desde a Grécia Antiga, simbolizada por Narciso.
      Segundo a mitologia grega, Narciso era um jovem belo filho do Deus Cefiso e da ninfa Liríope. Antes do seu nascimento, um oráculo previu que o belo rapaz teria uma vida longa e próspera contanto que nunca visse o próprio rosto. O jovem então cresceu e se tornou ainda mais belo, despertando amor tanto nos homens quantos nas mulheres da região de Beócia. Um dia uma ninfa chamada Eco se apaixonou perdidamente por Narciso, mas este a desprezava. As moças e rapazes desprezados por ele pediram aos deuses para dar uma lição em Narciso, fazendo-o se apaixonar por si mesmo. O rapaz, encantado com a própria beleza não resistiu e deitou-se no leito do rio Estige e viu seu reflexo nas águas, posteriormente definhando e cometendo suicídio admirando a própria imagem. Depois disso Afrodite o transforma numa flor (narciso).

Narciso
Por Caravaggio, 1594-1596
 
     Com essa história da mitologia, surgiu o termo Narcisismo, que define o indivíduo que excessivamente admira a própria imagem e nutre uma paixão exagerada por si mesmo. Diversos artistas retrataram em suas obras o mito de Narciso, como Caravaggio, Nicolas Poussin, John William Waterhouse e Benczúr Gyula, como você pode ver no final do post. Caetano Veloso também cita Narciso em sua clássica música, Sampa, onde ele diz:

"Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho"


         Segundo Sigmund Freud, o narcisismo é uma característica comum a todos os seres humanos e está intrinsecamente relacionado com o desenvolvimento da libido. De acordo seus estudos, o narcisismo pode ser dividido em duas etapas: narcisismo primário, que é uma fase auto-erótica; e o narcisismo secundário que ocorre quando o indivíduo desenvolve seu ego e consegue diferenciar os seus desejos e o que o atrai nos outros.
           Amor próprio é a base de qualquer vida equilibrada. Não é possível viver bem a vida inteira apoiando a felicidade nos outros. Os relacionamentos são complementos e esteios pros momentos bons e ruins. É preciso saber controlar a dose de Narciso em cada um de nós, mas sem abdicar totalmente. Afinal, como alguém poderá amar ou ser amado se primeiramente não ama a si mesmo?









Veja mais retratos de Narciso!

14 dezembro 2016

Soundtrack


      A trilha sonora do filme As vantagens de ser invisível é um carro chefe tanto na caracterização do Charlie (Logan Lerman), quanto no envolvimento com a trama do filme. Esse filme é um daqueles que mesmo se você não gostar, você vai ficar feliz de ter visto, por que apesar dos problemas o filme entrega bons momentos e boas histórias, sem falar em várias temáticas importantes que são abordadas. Um dos pontos altos do filme acontece justamente no final, quando o Charlie escreve sua última carta para seu velho amigo e ao som do glorioso David Bowie, deixa essa linda mensagem para finalizar o filme e deixar todos com olhos marejados. Recomendo firmemente a todos que gostam desses filmes estilo A culpa é das estrelas. Vale a pena! Você pode conferir críticas desse filme clicando aqui, e a seguir a transcrição do último poema de Charlie, um clipe com a música Heroes, a última cena do filme e ainda a playlist no Spotify com a trilha sonora completa do filme.


     “Não sei se terei tempo para escrever mais cartas, porque estarei muito ocupado tentando ‘participar’. Então, se essa for minha última carta, saiba que estive numa situação ruim antes de começar o ensino médio e você me ajudou. Você fez eu não me sentir sozinho. Porque sei que existem pessoas que dizem que estas coisas não acontecem. Que há pessoas que esquecem do que é ter 16 anos quando fazem 17. Sei que tudo isso não passará de histórias. E que nossas imagens se tornarão fotografias antigas. Todos nos tornaremos pais de alguém. Mas, nesse momento, estes momentos não são só histórias. Isto está acontecendo. Estou aqui, e estou olhando para ela. E ela é tão linda. Consigo enxergar. E é neste momento que você sabe que não é uma história triste. Você está vivo. Você se levanta e vê as luzes nos prédios e tudo que faz você se perguntar. Está ouvindo aquela música, naquele passeio, com as pessoas que mais ama neste mundo. E, neste momento, eu juro… SOMOS INFINITOS.”

Stephen Chbosky



Ultima carta de Charlie:




13 dezembro 2016

O Fantástico Mundo de Nárnia


     Pra quem pensa que Nárnia é apenas aquela terra encantada que quatro órfãos visitam e que cabe dentro de um guarda-roupa, este post será revelador. Isso porque C.S. Lewis idealizou esse complexo 'mundo' em suas crônicas, a partir de 1949 com O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, seguido de mais seis volumes que completam as renomadas Crônicas de Nárnia
      As histórias de faunos, elfos, minotauros e criaturas místicas são apenas a casca dessa história que possui diversas metáforas e analogias que nunca foram confirmadas oficialmente pelo autor mas que já foram tema de teses de doutorado mundo afora, explicitando a profundidade dessa obra. Vamos olhar mais de perto alguns elementos embutidos nas crônicas que podem ter passado despercebido pra quem assistiu os filmes. Não custa lembrar que esse post terá SPOILERS do livro.


     1.  Filhos de Adão e Filhas de Eva:


     O primeiro aspecto que evidencia o teor metafórico e até religioso das crônicas é chamar os humanos em Nárnia de Filhos de Adão e Filhas de Eva. Essa temática cristã introduzida subliminarmente as obras causa até hoje diversas polêmicas e controvérsias a respeito das intenções do autor. Uns dizem que é uma forma de apresentar aos jovens temas religiosos de forma facilmente assimilável e assim catequisá-los. Outros mais conservadores dizem que é uma obra pagã e profana por fazer alusões a trechos bíblicos utilizando símbolos mitológicos. Deixando de lado os argumentos de ambos os lados, o mais claro é que Lewis quis sim trazer temas religiosos pro centro da sua trama, alcunhando de Filhos de Adão e Eva seus primeiros visitantes Lúcia, Pedro, Suzana e Edmundo (na imagem, da esquerda pra direita). 

     2.  Manjar Turco, a Macã do Paraíso:


      Ainda na metáfora de Adão e Eva, C.S. Lewis vai ainda mais longe. Em O leão, a feiticeira e o guarda-roupa, Edmundo trai seus irmãos em troca do Manjar Turco oferecido pela Feiticeira Branca, que lhe prometeu poder, comida e um palácio. Uma explícita referência a tentação da cobra para Eva, ao oferecer a maçã proibida no paraíso.

     3.  O Tempo:
    
      Lewis também aborda um tema complexo em suas crônicas, que é a relatividade do tempo. No primeiro filme, os quatro irmãos crescem em Nárnia, ficam velhos e um dia acham a luminária que ficava bem na "entrada" desse mundo pelo velho guarda-roupa. Quando eles saem, voltam a ser jovens pois no mundo real não havia se passado nem um minuto. Alguns anos depois, quando retornam pra Nárnia, descobrem que lá havia se passado 1300 anos. Também nisso vemos uma metáfora bíblica ao trecho:

“Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos são como um dia.”

II Pedro 3.8


     4.  Fé:

      Como uma obra que traz tantas alusões religiosas, não poderia ficar de fora falar sobre . Já no primeiro livro esse tema é tocado, mas também se faz presente em todas as demais obras. Na primeira crônica, Nárnia está a anos sob domínio da Feiticeira Branca, sofrendo com o frio do inverno rigoroso. Os Narnianos ficam desesperançosos que algo possa acontecer para livrá-los dos domínios da Feiticeira, porém com a chegada dos filhos de Adão e das filhas de Eva, alguns começam a crer que Aslam retornará para salvá-los. Assim, Aslam começa a aparecer para Lúcia, a caçula e única que acreditava no retorno do Leão. Sempre que contava a seus irmãos e aos outros que tinha falado com Aslam, diziam que ela estava louca e imaginando coisas, até que ele nos momentos mais difíceis, aparece pra ajudar a todos. Como ele fala na cena abaixo, Lúcia fala que os outros não acreditaram nela e ele questiona: "E por que isso a impediu de vir até mim?". Esses trechos tem referência em Tomé, que fala que só acreditaria que Jesus ressuscitou quando visse com os próprios olhos. Essa descrença no "salvador" é um tema recorrente na obra de Lewis.


     5.  Aslam:

     Por fim, claro que Aslam em si é a maior de todos os elementos que comprovam a veia Cristã das Crônicas de C.S. Lewis. Já na primeira obra é mostrada uma cena em que Aslam faz um acordo com a Feiticeira Branca para perdoar Edmundo pela traição aos irmãos e que ao invés de matar o Filho de Adão, o Leão se oferece para morrer pelos pecados de Edmundo. Essa cena é na verdade uma releitura fantástica da Paixão de Cristo, onde Aslam nessa obra inteira representaria na verdade o Criador e o Salvador, personificados em uma só imagem. Após o sacrifício, veio a ressureição e logo depois de ajudar seu povo a se livrar da Feiticeira, quando todos estão em festa e felizes ele vai embora, representando também que essa procura pela imagem de um salvador só se dá nos momentos difíceis da vida. Abaixo as emocionantes cenas do sacrifício e da ressurreição de Aslam.



     6.  E o final?


     No fim das 7 histórias, em A última batalha, ocorre uma metáfora ao Apocalipse da bíblia. Nessa crônica o Deus Tash (ao lado) após passar a ser cultuado, aparece em Nárnia provocando destruição, desgraças e exigindo sacrifícios humanos em seu nome. Com toda essa tragédia tomando conta de Nárnia, Aslam decreta o fim desse país, criando a Nova Nárnia e levando pra lá todos os bons que ajudaram e fizeram o bem pela antiga terra. Essa Nova Nárnia na verdade é uma apologia ao próprio céu, ao paraíso que vão os bons e os justos segundo a bíblia. 


Já no fim do livro, Aslam revela a todos a verdade e termina o livro de forma arrebatadora, a qual transcrevo pra finalizar esse post:

"-Vocês ainda não parecem tão felizes como eu gostaria.
-É que estamos com medo de sermos mandados embora, Aslam! Já fomos mandados de volta ao nosso próprio mundo muitas vezes.
-Não precisa ter medo - disse o leão. - Vocês ainda não perceberam?
Sentiram o coração pulsar forte e uma leve esperança foi crescendo dentro deles.
-Aconteceu mesmo um acidente com o trem - explicou Aslam. - Seu pai, sua mãe e todos vocês estão mortos, como se costuma dizer nas Terras Sombrias. Acabaram-se as aulas: chegaram as férias! Acabou-se o sonho: rompeu a manhã!"

06 dezembro 2016

Poesia de Gaveta


Saindo do Escuro


No escuro, na penumbra  
Quem nada vislumbra
Mesmo um povo milenar  
Na escuridão sem luar
Sem ser, sem enxergar

Afinal, o que é a escuridão?
Quem tem rancor no coração
Ou já perdeu a sua visão
Diz que é o inferno,
Um abismo sem fim
Mas quem cultiva o amor
Ou enxerga os urubus
Diz que o escuro
É apenas falta de luz

No escuro, na penumbra   
Numa fila sem guichês
Só se importam com cachês
Suas vidas exauridas
Vazias, sofridas

Afinal, o que é a ignorância?
Quem a tem desde a infância
Ou não tem fome nem ânsia
Diz que é ser agressivo,
Ou tratar mal o diferente
Mas quem ingere conhecimento
Ou almeja sempre crescer
Diz que ignorante
É quem para de aprender

Sem escuro
Sem penumbra
Não haverá muro,
Nem sombra.
Não será fácil,
Nem igual.
Mas quando abrir os olhos
Verás aquilo que é real.

Acendam-se as luzes!
Liguem os holofotes!
O interruptor?
Está dentro de você!

 Resende, Gabriel
06/12/2016



Mural - Eu Me Chamo Antônio

"Em Outubro de 2012, Pedro Gabriel inaugurou a página Eu me chamo Antônio no Facebook (www.facebook.com/eumechamoantonio), para compartilhar os desenhos e as frases que rabiscava com caneta hidrográfica em guardanapos nas noites em que batia ponto no Café Lamas, um dos mais tradicionais bares do Rio de Janeiro. Em menos de um ano, conquistou mais de 300.000 seguidores entusiasmados."

     Pedro Gabriel apresenta em seus livros várias histórias vividas por seu alter ego Antônio com mensagens sobre paixões, sobre a vida e também sobre as perdas e suas dores. Nesse Mural de Imagens de hoje, quero compartilhar com vocês esse presente que ganhei de um grande amigo pra que vocês possam conhecer um pouco das mensagens desse grande artista e poeta contemporâneo. 





Veja mais imagens de Pedro Gabriel!

20 novembro 2016

My Favorite - Black Mirror



     Se você procura uma série diferente de basicamente todas as outras no ar atualmente, que seja inteligente, viciante e crítica, você tem que assistir Black Mirror; série britânica antológica que busca polemizar sobre muitos temas que já são debatidos na sociedade moderna com a velocidade com que a tecnologia avança em nossas vidas, muitas vezes sem nós percebermos. A séria faz um exercício de imaginação sobre como seria nosso cotidiano no futuro com o advento de ferramentas tecnológicas que muitas vezes podem parecer benéficas mas que no fundo tiram um pouco da nossa humanidade.
     O criador da série, Charlie Brooker, em entrevista ao jornal The Guardian explicou o porquê do título da série: "Se a tecnologia é uma droga então quais são precisamente os efeitos colaterais? Este espaço (entre apreciação e desconforto) é onde Black Mirror, minha nova série de televisão, está localizada. O 'espelho negro' do título é um que você encontrará em todas as paredes, em todas as mesas, na palma de toda mão: a fria e brilhante tela de uma TV, um monitor ou um smartphone."
     A série tem muitos bons episódios, em especial dois: O primeiro episódio da primeira temporada, The National Anthem (O hino nacional), onde o Primeiro Ministro do Reino Unido tem que enfrentar uma situação extrema após o sequestro de uma integrante da Família Real. E o primeiro da terceira temporada, Nosedive (Queda livre), onde as redes sociais se tornam centro da vida em sociedade de uma forma que os likes passam a ser a nova forma de segregação social. Esses dois episódios são pra mim os melhores da série até agora, mas todos fazer refletir sobre algum aspecto diferente sobre os 'lados ruins' que podem ser trazidos com a comodidade das novas tecnologias. 
     Uma menção honrosa ao personagem Waldo, do terceiro episódio da segunda temporada chamado The Waldo Moment (Momento Waldo). Esse episódio não poderia ser mais atual com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Na série, um boneco azul chamado Waldo dublado por um comediante faz piadas sobre a classe política e se candidata a prefeitura de uma cidade com um discurso de anti-política, sem propostas mas que faz o povo rir e atrai os "votos de protesto". Mais parecido com o mundo real impossível, já que a maior democracia do mundo elegeu recentemente um boneco laranja com um cabelo esquisito, que faz piada de tudo, ofende a todos, e com um discurso de anti-política conseguiu "votos de protesto" suficientes pra fazer das eleições Americanas uma grande piada de mau gosto.
    My favorite TV Serie de hoje é Black Mirror, pelo seu conteúdo, produção e relevância. Lembrando que todos os episódios da série podem ser encontrados na Netflix.





Waldo Trump

14 outubro 2016

Music and Poems - Bob Dylan

     Esse post é uma homenagem do Blog a este grande artista, músico e agora poeta vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, mostrando que a arte está em qualquer lugar e não há limites para quem se expressa com verdade e paixão. Parabéns Bob!

Forever Young - Bob Dylan (Tradução)

May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

May you grow up to be righteous
May you grow up to be true
May you always know the truth
And see the lights surrounding you
May you always be courageous
Stand upright and be strong
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

May your hands always be busy
May your feet always be swift
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift
May your heart always be joyful
May your song always be sung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young


Interpretação por Bob Dylan e Bruce Springsteen:






19 setembro 2016

"Quote" - Steve Jobs

      Na citação desse post, um discurso do Steve Jobs para os alunos formandos da Universidade de Stanford. A seguir o vídeo legendado e em seguida a transcrição do discurso em português.


"Stay hungry. Stay foolish."
  “Continue com fome, continue bobo.”




Veja a transcrição completa!

16 setembro 2016

Mais Difícil Ouvir



      Palavras machucam. Algumas delas mais que um soco na boca do estômago. Se essas palavras advém de alguém amado, a dor é ainda maior. Nesse caso, seria mais como o cravar de uma adaga no ventrículo esquerdo, impedindo que este lance o sangue para o restante do corpo. Como bem diz o título desse Blog: é "Mais Fácil Falar" do que, nesse caso, ouvir. Existe uma dicotomia intrínseca a esses dois elementos fundamentais para esse post: o Falar e o Ouvir
       Existe um conceito Beneditino muito famoso que afirma que "temos dois ouvidos e apenas uma boca que é para ouvir mais e falar menos". São Bento e sua ordem ressaltam a importância de saber ouvir. Todos os dias escutamos coisas das mais variadas na nossa rotina como barulhos, músicas, sons aleatórios ou até mesmo escutamos uns aos outros. Percebam que quando falo ouvir me refiro ao ato de assimilar o som escutado. Portanto, se algo não interessa pode muito bem ser escutado e não assimilado. Então, o ouvir, no sentido mais completo da palavra, pode não ser algo tão simples quanto se supõe inicialmente. 
      O mais potente e perfeito instrumento musical que existe está encravado em nossas gargantas. Das cordas vocais saem nossa voz, uma poderosa ferramenta raramente utilizada devidamente. Poderosa pois com uma dúzia de palavras é possível criar uma Guerra Mundial ou, com  a mesma dúzia, acabar com um conflito. Portanto, o falar possui um mecanismo similar ao ouvir. Qualquer pessoa pode muito bem falar o que quiser e o quanto quiser. Mas o quanto essas palavras emitidas representam verdadeiramente a opinião de quem fala? E mais, o quanto essas palavras realmente possuem uma razão para serem expressadas? Com esses questionamentos podemos notar que o falar, no sentido mais subjetivo da palavra, também pode não ser algo banal. 
       Mas e como esses conceitos se relacionam entre si? Simples. A partir do momento que alguém fala e outro alguém ouve, não existem garantias de que a ideia de quem fala será assimilada e nem de que quem fala está expressando o que realmente quer para quem ouve. É aí que entra o início desse post. Palavras machucam. 
     Sim, Palavras machucam. Algumas delas mais que um soco no estômago. Se essas palavras advém de alguém amado, a dor se assemelha mais como o cravar de uma adaga sem piedade bem no ventrículo esquerdo. Socos ou punhaladas possuem efeito e consequência imediatos. Um olho roxo e um sangramento. Rápido, letal. Palavras mal ditas não. Essas ecoam, insistem, duram... Lento, atordoante. Palavras malditas. 
       Como diz o velho ditado popular, "quem bate esquece, quem apanha não". Analogamente, podemos dizer que quem fala também esquece, mas quem ouve não... Então será que é mesmo Mais Fácil Falar, afinal de contas? Pode até ser que sim. Mas ouvir as palavras erradas certamente machucam mais do que falar as palavras erradas. É preciso ter maturidade para ouvir, equilíbrio para assimilar e acima de tudo cautela ao falar, pois as palavras erradas podem ecoar pela eternidade na mente de alguém. Perdoem minha redundância, mas palavras machucam sim!